Bragantino multa zagueiro em 50% do salário por fala machista contra árbitra

  • BRASIL -
  • 24/02/2026
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 O Bragantino informou, nesta segunda-feira (23), que o zagueiro Gustavo Marques receberá uma multa de 50% do total do salário por causa da polêmica declaração que ele deu no último sábado (21). O valor será destinado a uma ONG que cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade.


O atleta questionou a escalação da árbitra Daiane Muniz para a partida em que o time dele perdeu para a equipe do São Paulo no Campeonato Paulista. Gustavo afirmou que a Federação Paulista de Futebol não deveria colocar uma mulher para apitar um jogo “desse tamanho”. Após o episódio, a entidade divulgou nota lamentando o ocorrido. O zagueiro também pediu desculpa pelas declarações e disse que promete aprender com o erro.


Talita Garcez, advogada especialista em direito desportivo, explica que não se trata de um episódio isolado e que não basta punir as condutas de forma individual:



“É fundamental que avancemos em medidas estruturais, como, por exemplo, a implementação de medidas permanentes de educação, conscientização sobre igualdade de gênero nos clubes, nas federações, trabalho com os atletas desde a base e protocolos claros de enfrentamento de condutas discriminatórias. Precisamos do incentivo e a valorização da presença feminina em todas as funções do esporte. Eu acredito que só assim a gente vai caminhar para uma mudança.”



Proibição


O acesso ao esporte pelas mulheres já foi proibido por decreto-lei que afirmava: “às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. Foram quase 40 anos até a regularização do futebol feminino no país. Já a primeira mulher a apitar uma partida de futebol no Brasil foi a mineira Léa de Campos, que se formou em 1967, mas só conseguiu atuar na função em 1971.


Para Rachel Ripani, cofundadora do movimento Levante Mulheres Vivas, casos como este, em que a capacidade de uma profissional é questionada por ela ser mulher, são considerados misoginia, isto é, preconceito contra mulheres:



“Ele diminui a capacidade profissional de uma pessoa pelo sexo dela. Qual é a coerência disso? Apesar de ser muito violento, no Brasil, não há nada que impeça que isso possa ser dito num veículo tamanho. Para nós do Levante, é um caso explícito sobre como a gente ainda precisa falar sobre a criminalização da misoginia para deixar de naturalizar violências estruturais.”



Ministérios se manifestam


Em nota, os ministérios das Mulheres e do Esporte repudiaram o episódio e manifestaram solidariedade à árbitra Daiane Muniz e a todas as mulheres que atuam no futebol. As pastas afirmam que Daiane é árbitra da Federação Paulista de Futebol, da CBF e da FIFA, altamente qualificada, que um homem na mesma posição jamais seria desqualificado por ser homem e que o respeito às mulheres é inegociável.



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